Hoje será mais um dia ruim, eu posso sentir.
Toda a minha pele parece fina, como se minha alma me vestisse,
deixando a mostra todas as dores
E nada.
O torpor me consome como se meus movimentos fossem definidos por
um piloto automático,
Não há um porquê.
Sair da cama se torna um desafio, para além da preguiça
E então eu procuro encher meus dias de tarefas, me obrigo a por
a vida em ordem
E principalmente: em movimento.
Enquanto outros falam a meu lado, me pego divagando.
Mas minha mente está vazia, então como isso é possível?
Qualquer emoção exterior a mim me atinge como se uma flecha
traspassasse meu corpo e assim o nada se transforma em algo tão intenso tão
rapidamente que meu organismo tentando acompanhar o ritmo sem enlouquecer
precisa externar tudo que se acumula em meu peito
E eu choro.
E volto a sentir, naquele momento, como se novamente eu fosse
tangível.
Mas com a mesma rapidez que toda essa explosão de sensações me
atinge e é por mim externada, o nada se recoloca onde acredita já ser o seu
lugar: em meu ser.
Hoje é um dia ruim: eu sinto tudo (ou será o nada?) chegar e
lentamente tomar conta de mim.
Felizmente hoje eu consegui correr, me manter sempre um passo a
frente, ocupar minha mente.
Porém agora, deitada pra dormir, não há mais como ou pra onde
fugir.
Hoje foi um dia ruim, mas consegui chegar ao seu fim.
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