quarta-feira, 12 de abril de 2017

A dor pela dor dos outros

Hoje mais um vez li casos de abuso,
As agressões sofridas, de todos os tipos, fizeram meu corpo gelar.
É surreal o machismo que nos cerca.
É surreal não encontrar nenhuma mulher que nunca tenha sofrido algum tipo de assédio ou agressão por simplesmente ser mulher,
Mesmo que algumas não vejam.
Confortável em minha cama, me sinto privilegiada por não ter nenhuma história mais "drástica" para contar,
Ou talvez eu mesma nunca tenha me dado conta do que já sofri.
A gente internaliza, vê como normal e passa a não mais se importar.
"Enquanto isso a gente assiste o Brasil afundar".
Eu mesma disse isso:
"A gente assiste",
Porque é o que fazemos:
Mil textões nas redes sociais por dia, mas ao vivo, ao presenciarmos uma agressão, é difícil saber como reagiríamos.
Um salve pra aquelas mulheres que interviriam sem pestanejar,
Eu duvido que eu seja uma dessas.
Triste perceber que ainda mora em nós conceitos como "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher".
A linha é tênue demais e esse medo de nos "equivocarmos" e de "nos meter aonde não somos chamados" causa a morte diária de diversas mulheres.
Essa lógica de competição e de padrões inalcançáveis no qual nascemos e crescemos, nos diminui diariamente como seres humanos.
Nos impondo regras de como ser, agir, pensar e viver,
Suprimindo nosso ser, nossa luz e nossa alma.
O machismo mata, e não só no sentido literal da palavra.

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