terça-feira, 25 de abril de 2017

Suposta hora certa

Eu não queria admitir, talvez por medo ou por saber não estar pronta.
Não era a hora certa, insisto em repetir.
Mas talvez só fosse algo que não saberia lidar na época, 
Afinal, ainda não sei.
Mas agora já não há mais pra onde fugir ou como fingir não sentir
Não há como continuar no mesmo estado de negação ao qual passei todos esses anos anteriores.
É algo que volta e meia reaparece
Algo não, é você: que invade meu sono e rouba minha paz
Me fazendo imaginar onde, quando, como, os porquês e as conversas que podem vir a acontecer caso um dia eu tome coragem de lhe dizer tudo que se passa dentro de mim
Mas como se nem eu sei? 
Como se nem na minha mente consigo imaginar um final que valha a pena?
Analiso todos os seus passos e ações
Busco por um sinal de que talvez possa ser:
Talvez.
Mas cada vez você me escapa com mais e mais facilidade
Direcionando sorrisos a todos, nesse estado, até pequenas brincadeiras despertam a minha paranóia.
Coisas tão leves que me tornam tão distante e, sem conseguir te olhar, sinto o chão ceder sob meus pés.
Buscando sentido em tudo e, principalmente, em você, perdi toda a lucidez que um dia já tive orgulho de ter.
E a suposta hora certa parece nunca chegar,


Assim como você.

domingo, 23 de abril de 2017

Não duvide que sempre foi amor

Acho que perdi
Talvez tenha perdido em mim aquela essência de menina pela qual um dia você se apaixonou.
Acho que perdi
Perdi a capacidade de simplesmente ser eu mesma, sem me sentir forçando uma conversa ou situação.
E o pior: não me lembro mais de como é a sensação de me importar.
Os flashbacks daquele tempo parecem voltar a cada dia com mais intensidade
Engraçado, nem sabia que em uma época tão sombria eu era tão feliz.
Então me perdoa por não ter percebido?
Desculpa se eu só reparo em tudo quando não há ligação comigo.
É que eu sempre tive medo, sabe
Amar e principalmente ser amada é uma ideia assustadora pra mim.
Como posso permitir que alguém veja toda a escuridão que eu tenho dentro de mim?
Não acredito que ninguém seria capaz de permanecer ao meu lado após tamanho conhecimento.
E você, mesmo tão cheio de problemas, possui a maior luz que eu já vi.
Você irradia uma sensação de paz e a certeza de que vai dar certo, embora eu ache que nem você mesmo chegue a acreditar nisso.
E eu nunca vou me achar capaz de ser merecedora disso: de você.
Mas me perdoa, pois mesmo tendo essa certeza, não consigo matar aquele fio de esperança em meu peito.
Gosto de ouvir as pessoas dizerem que nós temos história, que somos certos um pro outro.
É errado me permitir sonhar assim?
Talvez seja.
Talvez eu só esteja me matando aos poucos, terminando comigo mesma ao desejar que sua felicidade seja ligada a minha.
Só não deixa meu egoísmo fazer com que você duvide que é amor
Acho que não há nem como ser mais do que sinto

E sentir isso me faz querer correr, mas você viria procurar por mim?

Dia ruim

Hoje será mais um dia ruim, eu posso sentir.
Toda a minha pele parece fina, como se minha alma me vestisse, deixando a mostra todas as dores
E nada.
O torpor me consome como se meus movimentos fossem definidos por um piloto automático, 
Não há um porquê.
Sair da cama se torna um desafio, para além da preguiça
E então eu procuro encher meus dias de tarefas, me obrigo a por a vida em ordem
E principalmente: em movimento.
Enquanto outros falam a meu lado, me pego divagando.
Mas minha mente está vazia, então como isso é possível?
Qualquer emoção exterior a mim me atinge como se uma flecha traspassasse meu corpo e assim o nada se transforma em algo tão intenso tão rapidamente que meu organismo tentando acompanhar o ritmo sem enlouquecer precisa externar tudo que se acumula em meu peito
E eu choro.
E volto a sentir, naquele momento, como se novamente eu fosse tangível.
Mas com a mesma rapidez que toda essa explosão de sensações me atinge e é por mim externada, o nada se recoloca onde acredita já ser o seu lugar: em meu ser.
Hoje é um dia ruim: eu sinto tudo (ou será o nada?) chegar e lentamente tomar conta de mim.
Felizmente hoje eu consegui correr, me manter sempre um passo a frente, ocupar minha mente.
Porém agora, deitada pra dormir, não há mais como ou pra onde fugir.


Hoje foi um dia ruim, mas consegui chegar ao seu fim.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Sempre hei de querer bem

Eu apaguei todos os vestígios de você,
Até aquela mensagem que há tempos havia esquecido que guardei.
Eu apaguei cada prova do seu carinho,
Me desintoxiquei de todo o vício em nossas conversas.
Eu esqueci quais foram as palavras que usou pra dizer que me amava
E também já não me lembro das brigas e das mágoas.
Resolvi guardar em mim só os sentimentos bons,
Só o sorriso e a lembrança do teu jeito que me acalmava.
Hoje o seu silêncio já não me incomoda
E a aparição de seu nome nas minhas notificações já não causam aquele estremecer em meu peito.
Agora em mim só resta amor e sim, por você também.
Ainda sou grata por ter feito parte de minha vida
Apesar desse final que continua incompreensível pra mim.
Então meu bem, sorria:
Pois sempre haverá aqui alguém que te quer bem.

A dor pela dor dos outros

Hoje mais um vez li casos de abuso,
As agressões sofridas, de todos os tipos, fizeram meu corpo gelar.
É surreal o machismo que nos cerca.
É surreal não encontrar nenhuma mulher que nunca tenha sofrido algum tipo de assédio ou agressão por simplesmente ser mulher,
Mesmo que algumas não vejam.
Confortável em minha cama, me sinto privilegiada por não ter nenhuma história mais "drástica" para contar,
Ou talvez eu mesma nunca tenha me dado conta do que já sofri.
A gente internaliza, vê como normal e passa a não mais se importar.
"Enquanto isso a gente assiste o Brasil afundar".
Eu mesma disse isso:
"A gente assiste",
Porque é o que fazemos:
Mil textões nas redes sociais por dia, mas ao vivo, ao presenciarmos uma agressão, é difícil saber como reagiríamos.
Um salve pra aquelas mulheres que interviriam sem pestanejar,
Eu duvido que eu seja uma dessas.
Triste perceber que ainda mora em nós conceitos como "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher".
A linha é tênue demais e esse medo de nos "equivocarmos" e de "nos meter aonde não somos chamados" causa a morte diária de diversas mulheres.
Essa lógica de competição e de padrões inalcançáveis no qual nascemos e crescemos, nos diminui diariamente como seres humanos.
Nos impondo regras de como ser, agir, pensar e viver,
Suprimindo nosso ser, nossa luz e nossa alma.
O machismo mata, e não só no sentido literal da palavra.

Oi

Oi extra terrestre.
É, você mesmo.
Mas não, não sou eu que te acho um ser de outro planeta,
Mas pelo visto não posso dizer que você é diferente que as pessoas já entendem como se te visse verde e de um olho só e com uma antena na cabeça (sim, esse é meu extra terrestre, comum e banal, algo que você não é, não pra mim, nem um pouco).
Então, oi.
Eu sorri ao escrever isso porque lembrei de você: oi.
E agora me veio um aperto no peito por me recordar do quanto você se julga, blablabla.
Oi.
É difícil falar de você, mas tão fácil te amar.
É difícil por em palavras tudo que penso.
Engraçado, talvez essa nossa relação que envolve tão poucas palavras (e mentes a mil, pelo menos a minha) acabe afetando o meu escrever sobre você.
Oi.
Queria te mostrar tudo isso, sabia?
Mas é, também não sou tão boa em compartilhar o que sinto, sei me controlar bem, pelo menos sóbria né.
Engraçado, escrevo pensando em você e me imaginando falando contigo: oi.
Talvez por isso esteja dando tantas voltas, ou talvez esse texto nem tenha um porquê mesmo.
Ou o porquê pode ser seu sorriso, seu jeito: você inteiro.
Que idiota eu, você odeia elogios e eu insisto em fazê-los.
Por que logo eu consigo te irritar tanto?
Oi, sinto sua falta, sabia?
Engraçado sentir sua falta se não tem nem 24 horas que nos falamos.
Talvez eu queira demais estar perto de você.
Mas eu gosto de estar sozinha também, mas é tão silencioso e calmo ao seu lado.
Oi
Acho que era só o que eu queria que meu celular mostrasse agora.

domingo, 9 de abril de 2017

Ressaca moral

Acordada depois de uma noite de bebedeira, mal lembro o que disse a você e muito menos o que me fez querer dizer.
O álcool talvez, culpá-lo é mais fácil de qualquer jeito.
Duvido que houvesse muito sentido no que, em minha angústia embriagada, tentava lhe falar. 
Estou me perguntando se mais uma vez passei dos limites. 
Talvez devesse largar a bebida, ou largar de você.
Os opostos se atraem, e é o que achei que fôssemos, mas aquele nosso amigo já me contradisse e talvez por isso quanto mais me aproximo, mais longe ficas de mim.
"É porque ele sabe que você gosta dele, tá claro pra todo mundo"
Nessa parte eu vou ter que discordar, não de que goste de você, mas da parte em que todo mundo vê.
Veem como? E veem o que? Se nem eu mesma enxergo claramente qual é o meu querer quando ele envolve você.
E por incrível que pareça, não é a distância emocional que me incomoda, não sou o tipo garotinha apaixonada, você sabe. 
Mas querer sentir seu corpo junto ao meu e não poder fazer nada desperta em mim uma inquietude que há de me levar a loucura.
E agora, te olhando dormir, tão calmo e sereno, meu coração e minha mente entram em guerra.
"Amor é a paz que eu sinto por alguém existir"
Talvez essa frase nunca tenha feito tanto sentido quanto agora ou talvez ela que tenha vindo dar sentido a mim 
É amor, pois traz uma paz enorme
É amor porque mesmo sendo, só quero que seja feliz, seja como e com quem for
É amor porque já faz muito tempo
É amor porque há amizade aqui
Mas não é o amor que por muitas vezes não me deixa dormir
Não é ele que me faz beber assim
A culpa é desse desejo com uma mistura de gostar
É da carência e da vontade de estar
É da ânsia pelo seu beijo
É a esperança de que talvez, quem sabe, vai saber
E talvez esse emaranhado de querer esteja ligado ao fato de não te ter
Me pergunto se seria teimosia, uma disputa pra mostrar pro mundo que sou capaz e você só tenha sido escolhido por acaso
"Por que?" "Porque eu tava bêbado"
"Eu já gostei de você"
"Tá muito cedo pra qualquer tipo de relacionamento"
"Pode falar que eu sou seu esquema"
Vai me matando aos poucos e me confundindo mais
Um dia eu enlouqueço ou você vira a minha paz
Agora, na real, já não me importa mais