Eu não queria admitir, talvez por medo ou por saber não estar
pronta.
Não era a hora certa, insisto em repetir.
Mas talvez só fosse algo que não saberia lidar na época,
Afinal, ainda não sei.
Mas agora já não há mais pra onde fugir ou como fingir não
sentir
Não há como continuar no mesmo estado de negação ao qual passei
todos esses anos anteriores.
É algo que volta e meia reaparece
Algo não, é você: que invade meu sono e rouba minha paz
Me fazendo imaginar onde, quando, como, os porquês e as
conversas que podem vir a acontecer caso um dia eu tome coragem de lhe dizer
tudo que se passa dentro de mim
Mas como se nem eu sei?
Como se nem na minha mente consigo imaginar um final que valha a
pena?
Analiso todos os seus passos e ações
Busco por um sinal de que talvez possa ser:
Talvez.
Mas cada vez você me escapa com mais e mais facilidade
Direcionando sorrisos a todos, nesse estado, até pequenas
brincadeiras despertam a minha paranóia.
Coisas tão leves que me tornam tão distante e, sem conseguir te
olhar, sinto o chão ceder sob meus pés.
Buscando sentido em tudo e, principalmente, em você, perdi toda
a lucidez que um dia já tive orgulho de ter.
E a suposta hora certa parece nunca chegar,
Assim como você.