Era mais um dia comum, apenas mais um caminho em direção ao trabalho. Ela estava a mandar mensagem pra alguém, conversando algo trivial que já nem se lembra mais, enquanto ouvia música a espera do seu ponto chegar, quando sentiu que algo mudava.
Era uma sensação nova, como se algo dentro de si finalmente estivesse livre, acordando devagar e abrindo as asas. Um sentimento que se espreguiçava e ia tomando conta do seu interior e, sem que ela se desse conta, cresceu a tal ponto que já lhe transbordava o ser, não cabendo mais em si.
Ela, que sempre foi criada em uma jaula, que aprendeu desde nova a amar pequeno, seguramente, ponderada, sem que soubesse bem o porquê, viu-se diante de um dia claro, de um céu aberto e azul.
Ela pode sentir o momento em que o cadeado, sempre tão bem fechado, simplesmente se quebrou. Então já não havia mais como prender, como segurar o que quer que fosse dentro de si.
Agora ela transborda, ela acredita e se entrega do jeito que tiver que ser.
Ela perdeu o medo junto com tudo que a prendia, perdeu o juízo e talvez toda a razão.
Mas em troca ela ganhou o mundo e com vive nele, sendo agora só coração.
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